Estamos a sufocar.

Nenhuma crise – sanitária, económica, climática – será resolvida enquanto as pessoas e a natureza servirem apenas para gerar dinheiro para alguns, fomentando a discriminação entre e dentro das comunidades.

A nossa indignação profunda traz-nos a coragem de dentro do medo. É a nós que cabe descontaminar a economia e regenerar a sociedade.

Com estas palavras, no dia 22 de Maio de 2021, mais de 150 pessoas bloquearam a Rotunda do Relógio perto do Aeroporto de Lisboa, a reivindicar Menos Aviões, Transição Justa, e Mais Ferrovia.

Na acção Em Chamas, colocámos os nossos corpos na linha de frente, porque temos muito pouco tempo para agir para evitar o caos climático e as instituições deste sistema estão a falhar miseravelmente.

Bloqueámos a rotunda durante uma hora e o plenário de acção votou por consenso voltar às ruas ainda em 2021.

Aqui vai a nossa versão do que aconteceu.

A tarde começou com uma manifestação desde o Aeroporto de Lisboa até à rotunda.

Na Rotunda do Relógio, cortámos o trânsito com os nossos corpos, em dois pontos-chave: a saída da Avenida do Brasil e a própria rotunda antes da saída para o 2º Circular.

Quando a polícia começou a intervir…

… bloqueámos também a Avenida Gago Coutinho!

Durante mais de uma hora estivemos na rotunda a auto-organizar-nos nos plenários de acção. O último plenário votou por consenso um compromisso para voltarmos ainda em 2021 com acções disruptivas para travar o caos climático.

Houve 26 detenções nesta acção de desobediência civil. Logo depois da acção fizemos uma vigília à frente da esquadra da polícia até às 2h para as recebermos.

Temos uma única mensagem para passar até toda a gente se levantar para apagar o fogo: a nossa casa está a arder.

Próximos passos

Já entramos num processo de avaliação e acompanhar as activistas detidas. Mais especificamente, marcamos presença na audiência no tribunal no dia 24 de Maio no Campus de Justiça.

Por outro lado, como o último plenário decidiu voltarmos ainda em 2021 com acções de desobediência civil em massa, temos de preparar-nos. Para mudar tudo, precisamos de toda a gente.

Formação em Justiça Climática | 5 de Junho

Nesta formação, dia 5 de Junho (Sábado) às 17h30, falamos sobre as ligações estruturais entre as injustiças sociais e a crise climática. Debruçamo-nos sobre o balanço entre as origens das emissões de gases com efeito de estufa e os seus impactos, entre as grandes injustiças e justiça social, entre responsáveis pela crise climática e as maiores vítimas da mesma e porque falamos em urgência.

Inscrições aqui.

Acampamento em Activismo Climático | 16-20 de Julho

Este verão, o movimento pela justiça climática vai juntar-se durante 5 dias para formar novas activistas e organizar a luta por um planeta justo e habitável.

A ideia é simples: A nossa casa está a arder. Alguém tem de fazer alguma coisa sobre isto.

Tu és alguém. É a altura certa para te juntares à luta.

Inscrições abertas! Mais informações e inscrições, aqui.

As instituições deste sistema estão a falhar miseravelmente. Seja na gestão da pandemia, seja no desgoverno da crise climática, o capitalismo garantiu que quem mais precisava de apoio, foi quem menos o teve.

Mesmo sistema, resultados (des)iguais

A nossa indignação profunda traz-nos a coragem de dentro do medo. É a nós que cabe descontaminar a economia e regenerar a sociedade.

Nesta Primavera, vamos criar a nossa própria História. Sairemos às ruas numa acção de desobediência em massa, contra um sistema tóxico que nos vai continuar a queimar se nada fizermos.

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Aviação em chamas

No último ano, o sector da aviação civil pelo mundo inteiro não só colapsou, como garantiu que sejam os trabalhadores a sofrer com este colapso, e não os accionistas e os actores financeiros.

A nacionalização da TAP deveria ter servido para resgatar os trabalhadores. Em vez disso, a reestruturação da empresa veio fragilizar a sua vida, roubando os seus direitos e os seus rendimentos. O governo devia agarrar esta oportunidade para estabelecer um plano de redução da aviação, garantindo rendimento, emprego e formação profissional na economia verde para os trabalhadores e responsabilizando os accionistas nesta transição. Este plano podia incluir ainda não só a TAP, mas também a Groundforce e todos os trabalhadores dos aeroportos e companhias aéreas.

Ao mesmo tempo, o governo desempenhou um papel proactivo na destruição climática quando se apressou para mudar a lei para conseguir avançar com o novo aeroporto no Montijo, com o apoio da direita parlamentar.

As crises climática e social não “acontecem”. São criadas pelo sistema sócio-económico. Na corrida ao lucro, as empresas queimam o planeta e as vidas das pessoas. E os governos são a garantia da manutenção desta corrida, deitando mais lenha para a fogueira quando é necessário.

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Visão: Um decrescimento rápido da aviação

Por uma mobilidade justa e sustentável, precisamos de um plano social de redução faseada e rápida da aviação. Isto inclui o cancelamento dos projectos de expansão aeroportuária. Nós somos o risco de investimento do novo aeroporto no Montijo ou Alcochete. Nós somos o risco de investimento da expansão do aeroporto de Portela.

Princípio: Transição justa

Uma transição justa deve garantir uma vida melhor do que antes para os trabalhadores e as trabalhadoras da aviação. São estas as pessoas que tornaram possível ver as nossas famílias que vivem em outros países. São estas as pessoas que asseguraram o fornecimento dos bens ao longo destes anos. Agora, precisamos de uma mobilidade diferente. Mas, mesmo com uma redução drástica na aviação até quase zero, serão estas as pessoas que vão garantir a entrega rápida dos bens essenciais para as outras partes do mundo logo depois dos eventos meteorológicos extremos que a crise climática irá inevitavelmente provocar.

Ao longo desta transição, é preciso assegurar os direitos laborais, a qualidade de vida e os rendimentos dos trabalhadores e das trabalhadoras. A transição deve garantir a formação profissional nos empregos para o clima para todas as pessoas que trabalham no sector da aviação, inclusive as subcontratadas e as precárias. No fim da transição, todas devem ter garantia de empregos dignos, bem como prioridade a novos postos de trabalho na mobilidade sustentável. E tudo isto envolve um plano desenhado por um processo democrático e participativo.

Plano: Mais ferrovia

Cada euro que vai para a construção do novo aeroporto ou para resgatar os empréstimos financeiros da TAP é um euro roubado à transição justa. Cada euro investido na volta à normalidade é um euro alocado no caos climático. Para tornarmos obsoletas as viagens aéreas dentro da Península Ibérica, é preciso construir um novo sistema de transportes público e acessível que aposte na ferrovia e que crie milhares de novos postos de trabalho em todas as regiões do país.

Reivindicações Em Chamas

A assembleia de acção aprovou, por consenso muito forte, as seguintes reivindicações.

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